O Sétimo Filho da NoiteParte 9 de 11 · 2 min

Camila Soares Almeida

O Sétimo Filho da Noite

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CAPÍTULO IX: A SUSPEITA

245 palavras · 2 min de leitura

Enquanto isso, na praça central de Riacho Escuro, os caçadores sobreviventes limpavam suas feridas e discutiam o ocorrido na colina. Risomar, no entanto, permanecia calado, sentado em um banco de madeira com o olhar perdido no horizonte. A hesitação da fera e o olhar de tristeza profunda que vira naqueles olhos vermelhos não saíam de sua cabeça de forma alguma. Ele começou a ligar os fatos: o rapaz recluso que comprou as correntes pesadas, os uivos que começaram logo em seguida, e o sumiço constante de Bento.

Decidido a buscar respostas por conta própria, Risomar caminhou até a casa isolada dos Silva. Ele não levou sua espingarda, apenas a dúvida que consumia sua mente.

Ao se aproximar da casa, Risomar bateu firmemente na porta de madeira. Dona Maria abriu apenas uma fresta, tentando disfarçar o nervosismo, mas o ferreiro conseguiu ver, através do vão da porta, Bento sentado na cozinha com o ombro enfaixado e manchas de sangue fresco no lençol.

— Eu sei o que aconteceu na colina ontem à noite, Maria — disse Risomar, com uma voz firme, mas surpreendentemente sem raiva. — E eu sei quem me salvou daquelas garras. Eu vim aqui para ver o Bento, não para fazer mal a ele. Preciso ouvir a verdade da boca dele antes que os outros homens da vila venham terminar o trabalho que começaram com fogo e chumbo.

Bento, ouvindo a conversa da cozinha, levantou-se lentamente e caminhou até à porta, encarando o ferreiro nos olhos.