Camila Soares Almeida
O Sétimo Filho da Noite
CAPÍTULO VIII: O RETORNO DOLOROSO
246 palavras · 2 min de leitura
Quando o sol começou a despontar no horizonte, banhando Riacho Escuro com os primeiros raios de uma manhã fria e nebulosa, Bento arrastou-se de volta para a casa de sua mãe. Ele estava gravemente ferido; o tiro de chumbo no ombro queimava como brasa, e o sangue humano voltava a manchar suas vestes rasgadas. Ele desabou na porta da cozinha, sem forças até mesmo para respirar.
Dona Maria, que passara a noite em claro rezando diante do altar de santos, correu para socorrer o filho. Com a ajuda de panos limpos e água morna, ela tentou estancar o sangramento enquanto Bento gemia de dor na mesa da cozinha, revivendo mentalmente os horrores da noite anterior.
Com muito esforço, Bento conseguiu se sentar, encarando a mãe com os olhos marejados de sofrimento e culpa.
— Eu quase matei o Risomar ontem à noite, minha mãe — confessou Bento, com a voz trêmula e fraca. — O monstro assumiu o controle total e eu não conseguia parar as minhas garras. Se eu não tivesse lembrado de quem ele era no último segundo, o sangue dele estaria nas minhas mãos agora. Eu não posso mais ficar aqui. A vila inteira está caçando a fera, e é apenas uma questão de tempo até eles descobrirem que o lobisomem e o seu filho são a mesma pessoa.
— Você não pode partir assim, meu filho! Você vai morrer sozinho nessas matas sem ninguém para cuidar dos seus ferimentos! — chorou Maria, abraçando os ombros do rapaz.