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O Sétimo Filho da NoiteParte 10 de 11 · 2 min

Camila Soares Almeida

O Sétimo Filho da Noite

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CAPÍTULO X: O PACTO DE SILÊNCIO

266 palavras · 2 min de leitura

Bento abriu a porta por completo, revelando seu estado deploråvel e assumindo de vez a sua identidade amaldiçoada diante do homem que quase matara.

— Sim, Risomar, a fera que vocĂȘ caçou sou eu — disse Bento, com a voz grave e resignada. — Sou o sĂ©timo filho de uma linhagem marcada pelo azar e pela escuridĂŁo. Eu nĂŁo queria aquele poder, e tentei me prender com as correntes que vocĂȘ mesmo forjou para mim. Se vocĂȘ veio aqui para me entregar para a vila ou para cravar uma foice no meu peito, faça logo. Eu cansei de fugir do meu prĂłprio sangue.

Risomar olhou para o ombro baleado do rapaz, depois para as marcas das correntes nos pulsos de Bento, e respirou fundo, guardando suas mĂŁos nos bolsos.

O silĂȘncio pesou entre os dois homens por longos segundos, que pareceram uma eternidade para Dona Maria, que observava a cena com o coração na mĂŁo.

— VocĂȘ teve a chance de arrancar a minha cabeça ontem Ă  noite, Bento, mas escolheu me deixar viver — disse Risomar, estendendo a mĂŁo grossa em direção ao rapaz. — Um monstro de verdade nĂŁo teria hesitado. Eu vou dizer aos homens da vila que a criatura morreu no fundo da floresta por causa do tiro que eu dei. Vou dar um jeito de afastar os caçadores de Riacho Escuro de uma vez por todas. Mas vocĂȘ precisa sumir destas terras antes que a prĂłxima lua cheia suba ao cĂ©u e a besta assuma o controle novamente.

— Obrigado, Risomar... vocĂȘ deu uma chance para a minha alma — agradeceu Bento, apertando a mĂŁo do ferreiro com força.