Camila Soares Almeida
O Sétimo Filho da Noite
CAPÍTULO VII: ENTRE O HOMEM E A FERA
245 palavras · 2 min de leitura
O confronto foi rápido e brutal. Os caçadores corriam em pânico, deixando suas armas para trás enquanto as garras da criatura rasgavam o ar. Risomar foi jogado contra o chão, perdendo sua espingarda na lama. O lobisomem subiu no peito do ferreiro, mostrando suas presas enormes de onde gotejava uma saliva espessa e ácida. Risomar fechou os olhos, esperando pelo golpe final que arrancaria sua garganta.
No entanto, em um vislumbre de consciência humana que lutava no fundo da mente distorcida da besta, Bento reconheceu o rosto do ferreiro. Risomar era o homem que o ajudara a consertar a carroça de sua mãe semanas atrás. A lembrança agiu como um freio frio na fúria do monstro, fazendo-o hesitar com a garra erguida no ar.
A fera soltou um gemido lamentoso, quase humano, que intrigou o ferreiro caído. Risomar abriu os olhos lentamente e encarou os olhos vermelhos do lobisomem, percebendo, por um instante, uma profunda tristeza sob aquela camada de fúria selvagem.
— O que... o que é você? Por que não me mata de uma vez? — sussurrou Risomar, com a voz falhando pelo terror e pela falta de ar. — Há um homem preso aí dentro desse corpo de demônio, não há?
Em vez de responder, o lobisomem deu um passo para trás, virou-se e correu em direção à parte mais escura e impenetrável da floresta, sumindo entre as sombras das árvores centenárias antes que o restante dos caçadores pudesse se reorganizar para um novo ataque.