O Sétimo Filho da NoiteParte 6 de 11 · 2 min

Camila Soares Almeida

O Sétimo Filho da Noite

06

CAPÍTULO VI: A FUGA DA FERA

267 palavras · 2 min de leitura

Dentro da caverna escura, a transformação de Bento havia sido mais violenta do que nunca. A força da fera havia aumentado com o passar do tempo, e o ferro forjado começou a ceder sob a pressão dos músculos sobrenaturais do lobisomem. Com um rugido que fez as paredes de pedra tremerem, Bento quebrou os elos da corrente, deixando pedaços de metal cravados em seus pulsos ensanguentados. Ele estava livre, e a fome de caça guiava seus passos para fora da segurança da caverna.

Ao sair para a noite, a fera avistou as luzes trêmulas das tochas dos caçadores que subiam a colina. O cheiro de pólvora e de medo humano flutuava no ar, atiçando os instintos mais primitivos do monstro. Ele se agachou sobre as quatro patas, preparando-se para o bote fatal.

Risomar liderava o grupo com passos firmes, mas parou abruptamente quando um uivo ensurdecedor ecoou a poucos metros de distância, vindo de cima de uma rocha saliente. À luz do luar, a silhueta gigantesca e peluda do lobisomem se destacou contra o céu noturno, com os olhos vermelhos brilhando intensamente na escuridão.

— Atirem! Atirem na cabeça do monstro antes que ele pule sobre nós! — gritou Risomar, apontando sua espingarda com as mãos trêmulas e puxando o gatilho sem hesitar.

O estrondo do tiro ecoou pelo vale. A bala atingiu o ombro da fera, fazendo-a urrar de dor, mas o ferimento apenas aumentou a sua fúria. Com um salto impossível para um ser humano, o lobisomem caiu no meio dos caçadores, espalhando as tochas e transformando a noite em um cenário de puro caos e desespero.