Camila Soares Almeida
O Sétimo Filho da Noite
CAPÍTULO V: O ARRASTAR DAS CORRENTES
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Os meses se passaram, e o segredo de Bento tornou-se um fardo insuportável. Para tentar conter os instintos violentos da fera durante as noites de lua cheia, o jovem tomou uma decisão drástica: comprou pesadas correntes de ferro forjado com o ferreiro da vila vizinha, alegando que seriam usadas para prender animais selvagens que atacavam os rebanhos de sua mãe. Ao anoitecer, ele se embrenhava nas profundezas de uma caverna abandonada na Colina Cinzenta e prendia seus próprios pulsos e tornozelos nas rochas mais firmes.
Nas noites de transformação, os moradores da vila começaram a ouvir um som aterrorizante que vinha das colinas: o arrastar lento, pesado e metálico de correntes contra a pedra, seguido por uivos de pura agonia. O pavor se espalhou por Riacho Escuro, e os velhos começaram a dizer que as almas dos condenados caminhavam entre eles.
Em uma dessas noites, enquanto as correntes ecoavam pelo vale, o ferreiro da vila, um homem robusto e corajoso chamado Risomar, resolveu que era hora de caçar o monstro que tirava o sono de sua família. Ele reuniu um grupo de homens armados com foices e espingardas carregadas com balas de chumbo grosso benzidas pelo padre.
— Esse barulho de correntes não vem do além-túmulo, meus amigos! É bicho, e bicho de carne e osso sangra e morre! — esbravejou Risomar na taverna da vila, erguendo sua tocha acesa. — Vamos subir aquela colina hoje e acabar de uma vez por todas com essa criatura que está amaldiçoando as nossas terras! Quem tiver coragem de verdade, pegue sua arma e me siga na escuridão!