Camila Soares Almeida
O Sétimo Filho da Noite
CAPÍTULO II: O RAPAZ RECLUSO
145 palavras · 1 min de leitura
O menino recebeu o nome de Bento. Ele cresceu como um rapaz recluso, pálido e de pouquíssimas palavras, preferindo a solidão dos cantos escuros da propriedade ao barulho das festas da vila. Desde muito cedo, ele demonstrava uma ligação estranha, quase magnética, com a floresta fechada que cercava Riacho Escuro e com os cães de caça da região. Os animais, que deveriam ser ferozes, costumavam rosnar baixinho ou fugir correndo, com o rabo entre as pernas, sempre que ele passava pelas ruas de terra batida.
À medida que o seu décimo terceiro aniversário se aproximava, o comportamento de Bento mudou drasticamente. Uma inquietação tomou conta de sua alma. Ele começou a sentir uma febre constante que nenhum chá conseguia curar, e uma coceira inexplicável e torturante ardia sob a sua pele pálida, como se algo estivesse tentando rasgar o seu corpo de dentro para fora.