O Sétimo Filho da NoiteParte 1 de 11 · 2 min

Camila Soares Almeida

O Sétimo Filho da Noite

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CAPÍTULO I: A LENDA DE RIACHO ESCURO

295 palavras · 2 min de leitura

Meu avô sempre me contava, nas noites em que o vento uivava forte contra as frestas das janelas de madeira, a terrível e esquecida história do lobisomem que marcou nossa linhagem. Riacho Escuro era uma pequena vila que parecia completamente congelada no tempo. Cercada por matos densos, fechados e colinas cinzentas que pareciam vigiar silenciosamente cada passo dos moradores, a rotina ali era rigidamente ditada pelo sol. Mas quando a noite caía e as sombras se estendiam, o medo tomava conta: as portas de todas as casas se trancavam com trincos duplos e pesados ferrolhos.

Na casa dos Silva, uma contagem regressiva silenciosa assombrava a família a cada nova gestação. Dona Maria dera à luz sete filhos. Os seis primeiros eram mulheres; fortes, trabalhadoras, cheias de vida. Mas a tradição antiga e obscura daquela região sussurrava um aviso sombrio que Maria tentava ignorar com todas as suas forças a cada prece que fazia ao anoitecer.

Quando o sétimo filho finalmente nasceu, o terror se materializou. Era um menino de olhos profundos, negros como o carvão, e cabelos muito pretos que pareciam absorver a pouca luz do quarto. Ao olhar para a criança, a parteira da Vila recuou horrorizada, cruzando os braços e recusando-se terminantemente a abençoá-lo como era o costume de Riacho Escuro.

— O ciclo antigo finalmente se completou, Maria! Não adianta chorar ou tentar esconder a verdade sob o manto da sua igreja — dissera o velho curandeiro da vila, surgindo das sombras do corredor com passos mancos, antes de sumir completamente na escuridão da noite lá fora. — O fardo pesado da lua cheia vai cobrar o preço dele muito antes do que você imagina. Esta criança pertence à noite, e nada neste mundo poderá quebrar a maldição do sangue que corre em suas veias.