Jose Eduardo Lima Costa
O Assobio da Matinta
Capítulo 5 – As Batidas e o Medo
163 palavras · 1 min de leitura
Minha mãe olhou pelo buraco da fechadura. Nada. Só a escuridão da varanda e a noite densa. Destrancou o trinco de ferro, que gemeu alto, e abriu a porta um palmo
O vento gelado entrou e quase apagou a lamparina. O cheiro que veio de fora não era de mato. Era de terra úmida, podre, e algo azedo, como folha fermentada. Lá fora não havia ninguém. Só a escuridão e as árvores paradas, como se estivessem escutando. Ela fechou a porta rápido e trancou duas vezes.
Mal deu três passos e as batidas voltaram
Mais fortes.
Mais rápidas
Tum-tum-tum-tum-tum
Agora eram seguidas, desesperadas, como uma aranha arranhando madeira. Como se quem estivesse lá fora tivesse perdido a paciência.
O caçula começou a chorar baixinho, com a cara enterrada na barriga da minha mãe. Eu fiquei paralisado na rede. Minha mãe, com a mão tremendo, ligou pro meu pai.
— Amor, volta pra casa. Agora. Por favor. Aconteceu alguma coisa aqui. Eu tô com medo.