Jose Eduardo Lima Costa
O Assobio da Matinta
Capítulo 6 – O Veredito do Avô
179 palavras · 1 min de leitura
Vinte minutos que pareceram uma hora. O farol do carro do meu pai cortou a janela. Ele desceu com um facão de 50 cm. Meu avô, com a espingarda de cano serrado que só usava pra caçar pato.
Os dois entraram na mata. A lanterna cortava a escuridão e iluminava troncos, raízes, sombras que pareciam gente.
De dentro de casa nós só ouvíamos
— Quem está aí? Sai pra fora, rapaz
— Aparece se for homem!
Vasculharam o quintal, o terreiro, a beira do mato, até a cacimba. Nada. Nenhum rastro. Nenhuma pegada. Só o silêncio voltando, mais pesado que antes.
Quando voltaram, meu pai suava frio e tentava soar firme:
— Não tem ninguém lá fora, filho. Deve ter sido galho batendo na porta. O vento.
Meu avô guardou a espingarda devagar, olhou pra escuridão da mata e cuspiu no chão. A voz dele saiu grave, de quem já viu coisa demais:
— Galho não assobia, menina. Vento não bate três vezes e para. Se não era gente... então era a Matinta. E ela só vai embora quando você espera de novo.