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O Assobio da MatintaParte 2 de 9 · 2 min

Jose Eduardo Lima Costa

O Assobio da Matinta

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Capítulo 2 – A Casa Sem os Homens

234 palavras · 2 min de leitura

Aquela noite, sem saber, o cenário tava perfeito. Meu pai e meu avî tinham ido jogar bola na vila e disseram que voltavam “antes da novela”. Em casa ficamos apenas eu, minha mãe, meu irmão e o caçula de 4 anos

Jantamos arroz, feijão e sardinha à luz de lamparina de querosene. A chama tremia e projetava sombras gigantes nas paredes de madeira. Às 21h apagamos a luz. O telhado de zinco estalava com o calor abafado. Dormimos cedo, exaustos.

Por volta das 23h, acordei sem motivo. NĂŁo foi pesadelo. Foi silĂȘncio. Um silĂȘncio errado. Os grilos calaram. Os sapos da cacimba calaram. SĂł restou o vento passando na varanda comprida e o som da madeira gemendo, como se alguĂ©m andasse lĂĄ fora.

Numa tarde de janeiro, o calor estava insuportĂĄvel. Eu, meu irmĂŁo de 7 anos, VĂ­tor, e Pedro jogĂĄvamos bola no terreiro com uma bola de meia costurada com linha de pesca. Entediado, soltei um assobio alto, irresponsĂĄvel, sĂł pra quebrar o silĂȘncio pesado.

VĂ­tor parou na hora. A bola bateu numa raiz e ficou parada. Ele virou o rosto devagar, com a expressĂŁo de quem ouviu um aviso de gente mais velha.

— Mano... não faz isso. Minha avó fala que assobiar chama a Matinta. Ela vem. E ela não vem pra conversar. Vem pra cobrar

Eu ri. Dei de ombros

— Para de ser medroso, VĂ­tor. Isso Ă© histĂłria pra assustar criança.