Jose Eduardo Lima Costa
O Assobio da Matinta
CapĂtulo 2 â A Casa Sem os Homens
123 palavras · 1 min de leitura
Aquela noite, sem saber, o cenĂĄrio tava perfeito. Meu pai e meu avĂŽ tinham ido jogar bola na vila e disseram que voltavam âantes da novelaâ. Em casa ficamos apenas eu, minha mĂŁe, meu irmĂŁo e o caçula de 4 anos.
Jantamos arroz, feijĂŁo e sardinha Ă luz de lamparina de querosene. A chama tremia e projetava sombras gigantes nas paredes de madeira. Ăs 21h apagamos a luz. O telhado de zinco estalava com o calor abafado. Dormimos cedo, exaustos.
Por volta das 23h, acordei sem motivo. NĂŁo foi pesadelo. Foi silĂȘncio. Um silĂȘncio errado. Os grilos calaram. Os sapos da cacimba calaram. SĂł restou o vento passando na varanda comprida e o som da madeira gemendo, como se alguĂ©m andasse lĂĄ fora.