Um Lar Quase EsquecidoParte 3 de 5 · 1 min

David de Freitas Padilha

Um Lar Quase Esquecido

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Capítulo 3 — O Canto dos Olhos

199 palavras · 1 min de leitura

Com o passar dos meses, começaram a acontecer coisas difíceis de ignorar.

Não apenas comigo.

Diversos membros da família, além de algumas visitas, relataram experiências semelhantes.

Quase todos diziam ter visto, pelo canto dos olhos, alguém saindo de um cômodo e caminhando em direção ao banheiro.

Era sempre rápido.

Uma silhueta.

Um movimento.

Uma presença.

Quando tentávamos olhar diretamente, não havia ninguém.

O mais estranho era que os relatos aconteciam em momentos diferentes e sem influência entre si. Algumas pessoas descreviam exatamente o mesmo trajeto pela casa sem sequer saber que outras já haviam contado algo parecido.

Também começaram os ruídos.

Portas e janelas batiam como se algo tivesse colidido contra elas.

Às vezes ouvíamos nossos nomes sendo chamados por vozes que pareciam vir de outro cômodo.

Quando respondíamos, ninguém tinha chamado.

Houve ocasiões em que caminhávamos até a origem do som apenas para encontrar corredores vazios e quartos escuros.

Sempre havia uma explicação possível.

O vento.

A imaginação.

O cansaço.

Mas as explicações pareciam cada vez menos convincentes quando as experiências eram compartilhadas por pessoas diferentes, sem que uma soubesse do relato da outra.

Pouco a pouco, começamos a evitar certos cômodos quando estávamos sozinhos.

Principalmente à noite.