Um Lar Quase EsquecidoParte 2 de 5 · 2 min

David de Freitas Padilha

Um Lar Quase Esquecido

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Capítulo 2 — O Espelho

212 palavras · 2 min de leitura

Numa tarde, eu estava sozinho em casa quando acordei assustado com um estrondo vindo da sala.

O som foi tão repentino que me fez levantar imediatamente.

Meu primeiro pensamento foi simples: alguém havia derrubado alguma coisa.

Mas poucos segundos depois me lembrei de um detalhe.

Eu estava sozinho.

A casa permanecia imóvel e silenciosa após o impacto. Nenhuma voz. Nenhum outro ruído.

Apenas aquele silêncio estranho que costuma surgir depois de algo inesperado acontecer.

Caminhei até a sala e encontrei um dos espelhos da casa estilhaçado no chão.

Por alguns segundos fiquei apenas observando.

Os fragmentos refletiam pedaços do teto e das paredes em ângulos distorcidos, como se cada caco mostrasse uma versão diferente do ambiente.

O que me incomodou não foi o fato de ele ter caído.

Foi a maneira como caiu.

O espelho ficava apoiado horizontalmente contra a parede. Se perdesse o equilíbrio, o normal seria tombar para trás.

Mas ele estava quebrado de frente para o chão.

Como se algo o tivesse empurrado.

Na época tentei encontrar uma explicação lógica. Talvez estivesse mal apoiado. Talvez alguém tivesse esbarrado nele antes.

Ainda assim, algo naquela cena parecia errado.

Era uma sensação difícil de explicar.

Como se eu tivesse chegado alguns segundos atrasado para testemunhar algo que não deveria ter acontecido.