O Assobio da Lua CheiaParte 2 de 3 · 2 min

Max Cauã Barbosa Coelho

O Assobio da Lua Cheia

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Capítulo 2 — Três Batidas na Porta

291 palavras · 2 min de leitura

Mateus acordou antes do amanhecer.

A noite havia sido estranha. Sonhara com um rio escuro e silencioso, onde uma figura encapuzada caminhava sobre as águas sem deixar rastros.

Quando abriu os olhos, o sonho ainda parecia grudado em sua mente.

O céu estava cinzento e o sol mal aparecia no horizonte.

Então ouviu:

TOC.

TOC.

TOC.

Três batidas firmes na porta.

Mateus levantou-se sonolento.

— Já vai!

As batidas cessaram.

Ao abrir a porta, sentiu um arrepio percorrer seu corpo.

Uma senhora muito velha estava parada diante dele.

Os cabelos eram longos e completamente brancos.

Os olhos escuros pareciam profundos demais.

Ela segurava um cajado de madeira retorcida.

— Bom dia, rapaz — disse ela.

A voz era rouca e lenta.

Mateus tentou responder, mas as palavras não saíram.

A mulher estendeu a mão.

— Vim buscar o fumo que você me prometeu ontem à noite.

O sangue desapareceu do rosto do pescador.

Seu coração disparou.

Era impossível.

Ninguém poderia ter ouvido seu desafio.

Ninguém estava do lado de fora quando ele gritou para a escuridão.

Mesmo assim, aquela mulher sabia exatamente o que havia sido dito.

Sem coragem para discutir, Mateus correu até a cozinha.

Pegou o melhor pedaço de fumo que possuía.

Quando voltou, entregou-o com as mãos tremendo.

A velha recebeu o presente e sorriu.

Mas aquele sorriso não parecia humano.

Por um instante, Mateus teve a impressão de ouvir novamente o assobio vindo do fundo da garganta dela.

— Você teve sorte — disse a mulher.

— Sorte?

— Há promessas que custam mais caro que um pedaço de fumo.

A velha virou-se e começou a caminhar pela rua.

Depois de alguns metros, desapareceu atrás da névoa.

Mateus correu até o portão para observá-la.

Mas ela já não estava lá.

Como se nunca tivesse existido.