Max Cauã Barbosa Coelho
O Assobio da Lua Cheia
Capítulo 2 — Três Batidas na Porta
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Mateus acordou antes do amanhecer.
A noite havia sido estranha. Sonhara com um rio escuro e silencioso, onde uma figura encapuzada caminhava sobre as águas sem deixar rastros.
Quando abriu os olhos, o sonho ainda parecia grudado em sua mente.
O céu estava cinzento e o sol mal aparecia no horizonte.
Então ouviu:
TOC.
TOC.
TOC.
Três batidas firmes na porta.
Mateus levantou-se sonolento.
— Já vai!
As batidas cessaram.
Ao abrir a porta, sentiu um arrepio percorrer seu corpo.
Uma senhora muito velha estava parada diante dele.
Os cabelos eram longos e completamente brancos.
Os olhos escuros pareciam profundos demais.
Ela segurava um cajado de madeira retorcida.
— Bom dia, rapaz — disse ela.
A voz era rouca e lenta.
Mateus tentou responder, mas as palavras não saíram.
A mulher estendeu a mão.
— Vim buscar o fumo que você me prometeu ontem à noite.
O sangue desapareceu do rosto do pescador.
Seu coração disparou.
Era impossível.
Ninguém poderia ter ouvido seu desafio.
Ninguém estava do lado de fora quando ele gritou para a escuridão.
Mesmo assim, aquela mulher sabia exatamente o que havia sido dito.
Sem coragem para discutir, Mateus correu até a cozinha.
Pegou o melhor pedaço de fumo que possuía.
Quando voltou, entregou-o com as mãos tremendo.
A velha recebeu o presente e sorriu.
Mas aquele sorriso não parecia humano.
Por um instante, Mateus teve a impressão de ouvir novamente o assobio vindo do fundo da garganta dela.
— Você teve sorte — disse a mulher.
— Sorte?
— Há promessas que custam mais caro que um pedaço de fumo.
A velha virou-se e começou a caminhar pela rua.
Depois de alguns metros, desapareceu atrás da névoa.
Mateus correu até o portão para observá-la.
Mas ela já não estava lá.
Como se nunca tivesse existido.