O Sussurro da MatintaLeitura · 2 min

Samilly Vitoria Favacho dos santos

O Sussurro da Matinta

01

Leitura única

383 palavras · 2 min de leitura

Tudo aconteceu na Comunidade Santa Rosa, em Areia Branca. Era uma tarde tranquila, e o sol já começava a desaparecer atrás das árvores quando uma família se preparava para mais uma noite comum. Depois do jantar, todos foram dormir, sem imaginar o que estava prestes a acontecer.

Por volta das onze horas da noite, um som estranho quebrou o silêncio. Os cachorros começaram a latir sem parar, como se percebessem algo que os moradores não conseguiam ver. O vento balançava as cortinas das janelas da casa, aumentando ainda mais a sensação de mistério.

A mãe da família, uma mulher evangélica e muito fiel à sua fé, estava orando em seu quarto quando ouviu um assobio vindo de fora da janela. O som era longo, agudo e parecia se aproximar cada vez mais. De repente, algo bateu com força na janela.

Assustada, ela se levantou rapidamente. O assobio continuava. Então, com coragem, ela ergueu a voz e declarou:

— Eu te repreendo em nome de Jesus!

No mesmo instante, o assobio cessou. O silêncio voltou a tomar conta da noite.

Mas os acontecimentos não terminaram ali.

Com o passar do tempo, sempre que as mulheres da família saíam e os homens permaneciam sozinhos em casa, relatos semelhantes surgiam. Em certa noite, enquanto alguns familiares caminhavam para visitar um vizinho, ouviram novamente o assobio da Matinta vindo de perto. O som parecia rodeá-los na escuridão, causando medo e inquietação.

Uma das mulheres que estava no grupo repetiu as mesmas palavras:

— Eu te repreendo em nome de Jesus!

Mais uma vez, o assobio desapareceu de forma repentina.

Os moradores da comunidade relacionavam aqueles acontecimentos à lenda da Matinta Pereira, uma figura muito conhecida no folclore amazônico. Muitos também associavam o som ao pássaro rasga-mortalha, cuja passagem sobre as casas é vista por algumas pessoas como um presságio de morte. Outro som temido na região é o chamado "bate-caixão", que lembra batidas em um caixão e costuma ser interpretado como sinal de uma notícia ruim.

Alguns moradores afirmam que, após ouvirem esses sons misteriosos, aconteceram fatos tristes na comunidade. Verdade ou lenda, ninguém sabe ao certo. O que permanece até hoje é a lembrança daquela noite silenciosa, interrompida por um assobio assustador que ecoou na escuridão e ficou marcado para sempre na memória de quem o ouviu.

Fim.