Tiele Florencio Monteiro
O Lobisomem de Areia Branca
Leitura única
587 palavras · 3 min de leitura
Conta a lenda que, em Areia Branca, existia um homem que se transformava em lobisomem nas noites de lua cheia. Quando a lua brilhava no céu, ele deixava sua forma humana e saía pelas ruas escuras da cidade.
Dizem que ele passava de casa em casa, arranhando portas e janelas com suas enormes garras. Seu uivo assustador podia ser ouvido de longe, fazendo os moradores trancarem portas e janelas com medo. Muitas pessoas evitavam sair de casa durante as noites de lua cheia, pois acreditavam que poderiam encontrar a criatura.
Os moradores contavam que os cachorros latiam sem parar quando o lobisomem se aproximava. Alguns diziam ter visto seus olhos vermelhos brilhando no escuro entre as árvores. Outros afirmavam ouvir passos pesados nos telhados e sombras estranhas se movendo pelas ruas vazias.
As crianças eram proibidas de brincar do lado de fora à noite, até mesmo nos quintais. Os pais tinham medo de que algo ruim pudesse acontecer. Havia quem jurasse que o lobisomem deixava pegadas enormes na lama e que seu uivo fazia até os animais da floresta se esconderem.
Mas as histórias não paravam por aí. Alguns moradores diziam que, em certas noites, era possível ouvir correntes sendo arrastadas pela rua, mesmo sem ninguém por perto. Outros afirmavam ter visto uma figura escura parada perto do cemitério, observando as casas sem se mover.
Conta-se também que algumas pessoas encontraram marcas de garras em árvores muito altas, em lugares onde nenhum animal comum conseguiria alcançar. Havia ainda quem dissesse que, ao olhar pela janela durante a madrugada, via dois olhos brilhantes observando da escuridão e desaparecendo em seguida.
Certa noite, um homem e uma mulher voltavam para casa de moto por uma estrada de Areia Branca. Quando passavam por um trecho escuro da estrada, avistaram o lobisomem parado na beira do caminho. A criatura também os viu e imediatamente começou a correr atrás deles.
Assustado, o homem acelerou a moto o mais rápido que pôde. Mesmo assim, o lobisomem continuou perseguindo os dois. Dizem que a criatura correu atrás deles por um longo trecho, até próximo de um grande pé de manga. Quando chegaram em casa, entraram rapidamente, trancaram a porta e ficaram em silêncio, esperando que o lobisomem fosse embora.
Outra história muito conhecida foi contada por uma mulher da cidade. Certa noite, ela saiu de casa para esperar seu cachorro fazer as necessidades no quintal. Enquanto aguardava, percebeu algo muito grande parado no escuro ao lado da casa.
Ao observar melhor, ela viu que aquela coisa estranha parecia estar se transformando. Assustada, percebeu que poderia ser o lobisomem. Sem perder tempo, pegou o cachorro, correu para dentro de casa, trancou a porta e permaneceu em silêncio, sem fazer nenhum barulho. Ela contou que passou o resto da noite com medo, ouvindo sons estranhos do lado de fora.
O mais misterioso era que ninguém sabia quem realmente era o homem que se transformava em lobisomem. Alguns acreditavam que ele morava escondido na mata. Outros diziam que era um morador da cidade que levava uma vida normal durante o dia, sem que ninguém suspeitasse de seu segredo.
Até hoje, algumas pessoas mais antigas da cidade contam essa história e dizem que, quando a lua cheia aparece e um uivo ecoa na noite, é melhor ficar dentro de casa e não olhar pela janela. Afinal, ninguém sabe se a lenda realmente acabou ou se o lobisomem ainda vaga pelas ruas de Areia Branca, escondido nas sombras, esperando a próxima noite de lua cheia para voltar a aparecer.
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