O Homem que Virava PorcoLeitura · 2 min

Adrian Fonseca de Sousa

O Homem que Virava Porco

01

Leitura única

324 palavras · 2 min de leitura

A lua já estava alta quando o silêncio da rua foi quebrado pelos passos pesados de meu pai. Era mais uma noite comum de retorno do trabalho, e tudo o que ele desejava era o conforto e a segurança do nosso lar. Porém, a calmaria daquela noite estava prestes a ser desfeita.

Assim que se aproximou do portão de casa, um som estranho ecoou na escuridão. Era um ruído abafado, bizarro, que parecia a mistura de um animal rosnando com o som de algo pesado sendo arrastado pelo chão. Um arrepio frio subiu pela sua espinha. O medo foi imediato: a sensação incômoda de que havia algo espreitando no escuro, dentro do próprio quintal, fez com que ele congelasse antes de colocar a chave na fechadura.

Decidido a não arriscar, ele deu um passo para trás. Olhou ao redor, mas as sombras da rua pareciam engolir qualquer pista. Sem coragem de entrar, ele mudou de rota e começou a caminhar em direção à casa de um amigo próximo, esperando encontrar abrigo e uma explicação lógica para aquilo.

O problema é que o mistério não ficou para trás.

A cada passo dado na calçada deserta, o barulho parecia segui-lo. Não era imaginação. O som misterioso continuava firme, como uma sombra sonora. Meu pai apertou o passo. O ritmo do seu coração acompanhava a pressa de suas pernas, mas o ruído misterioso também acelerou, tornando-se cada vez mais alto e nítido.

Foi quando ele não aguentou mais a dúvida e olhou por cima do ombro.

A adrenalina disparou. No meio da penumbra, ele avistou um bicho correndo em sua direção de forma frenética. A criatura se movia com uma rapidez impressionante e assustadora para o seu tamanho. À primeira vista, parecia muito com um porco robusto, mas sua velocidade e o barulho ensurdecedor que provocava ao pisar no asfalto quebravam qualquer normalidade. Era uma presença bizarra e ameaçadora que corria atrás dele sem desviar o foco.