Izabeli do Nascimento Bastos
O Assobio do Ramal Teolga
Capítulo V - A FUGA
136 palavras · 1 min de leitura
O homem não esperou para ver mais nada. Ele acelerou a moto ao máximo, fazendo os pneus derraparem na terra fofa do ramal. Correu sem olhar para trás nenhuma vez, sentindo que se olhasse, aquela criatura o alcançaria.
Ele só aliviou o acelerador quando cruzou a fronteira do ramal e avistou, com um alívio indescritível, as primeiras luzes dos postes do nosso bairro.
Até hoje, esse conhecido da minha avó muda de caminho se o relógio passar das seis da tarde. Ele nunca mais pisou naquele ramal depois que o sol se põe. E minha avó diz que, até hoje, se ele está em casa e ouve qualquer assobio trazido pelo vento da noite, ele corre, fecha as janelas e tranca a porta na mesma hora, sabendo que a mata guarda segredos que ninguém deveria ver.