Izabeli do Nascimento Bastos
O Assobio do Ramal Teolga
Capítulo III – O ASSOBIO
156 palavras · 1 min de leitura
Foi entre um chute e outro no pedal que o silêncio foi quebrado. Vindo de dentro das árvores escuras, ecoou um assobio longo, fino e agudo:
Fiuuuuuuuuuuuuu…
O som cortou o ar de um jeito que fez os pelos dos braços do homem se arrepiarem. Achando que era algum conhecido tentando pregar uma peça ou algum garoto da região, ele gritou para a escuridão:
— Aparece, rapaz! Para de palhaçada!
Ninguém respondeu por extenso. Em vez disso, o assobio tocou de novo, mas agora mudando de lugar em uma velocidade impossível para um ser humano. Uma hora parecia vir lá de perto da entrada da fazenda, um segundo depois ecoava perto do caminho das piscinas naturais... até que, finalmente, o assobio pareceu soprado bem do lado do seu ouvido esquerdo.
Foi aí que ele lembrou do que os antigos explicavam: quando esse assobio parece longe, é porque o "ser da mata" já está bem do seu lado.