Daniel de Lima Maciel
O Assobio do Mato
Leitura única
382 palavras · 2 min de leitura
A história se passa no Káto 1. Eu morava no começo do conjunto, e minha casa ficava de fundo para um grande mato fechado. Durante o dia, o lugar parecia normal, cheio de árvores, pássaros e o som do vento balançando os galhos. Mas, quando a noite chegava, tudo mudava.
Quase todas as noites, por volta das dez horas, eu escutava um assobio vindo do meio do mato. Não era um assobio comum. Parecia a voz de uma senhora chamando alguém bem devagar. O som era triste e arrepiante, ecoando pela escuridão.
No começo, pensei que fosse algum vizinho. Mas o assobio continuava mesmo quando não havia ninguém por perto. Algumas vezes ele parecia distante; em outras, parecia estar bem atrás da minha casa. Eu observava pela janela, mas só conseguia enxergar a escuridão entre as árvores.
Com o passar dos dias, comecei a ficar com medo. Eu mal conseguia dormir. Toda vez que o vento soprava ou um galho estalava, eu imaginava que alguém estava andando no mato. Minha família também já tinha ouvido o estranho assobio, mas ninguém sabia explicar de onde ele vinha.
Certa noite, a curiosidade falou mais alto. Peguei uma lanterna e fui até o quintal. O assobio estava mais forte do que nunca. Meu coração batia tão rápido que parecia que todos podiam ouvir. Dei alguns passos em direção à cerca e iluminei o mato. Por um instante, tive a impressão de ver uma sombra parada entre as árvores.
Então o assobio parou.
O silêncio que veio depois foi ainda mais assustador. Nem os insetos faziam barulho. Eu fiquei imóvel, olhando para a escuridão. De repente, ouvi o som de folhas sendo pisadas. Parecia que algo estava se aproximando lentamente.
Assustado, corri para dentro de casa e tranquei a porta. Passei a noite sem dormir.
No dia seguinte, contei tudo aos vizinhos. Alguns disseram que também já tinham ouvido aquele assobio anos atrás. Outros acreditavam que era apenas o vento. Mas ninguém sabia a verdade.
Depois daquela noite, o assobio nunca mais foi ouvido. O mato voltou a ficar silencioso. Porém, até hoje, quando passo por aquele lugar e vejo as árvores balançando na escuridão, lembro daquela sombra e me pergunto:
Quem estava assobiando no meio do mato?
E, principalmente...
Por que ela nunca mais voltou?