A Sombra da Menininha da Praça de Santa IzabelLeitura · 2 min

Lorena Ximendes Ramos

A Sombra da Menininha da Praça de Santa Izabel

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Leitura única

388 palavras · 2 min de leitura

Meu avô trabalhou por mais de vinte anos vendendo pipoca nas praças de Santa Izabel do Pará. Como seu trabalho dependia do movimento das pessoas, muitas vezes ele permanecia até altas horas da noite, quando as ruas já estavam vazias e o silêncio tomava conta da cidade.

Durante esse período, ele passou a notar algo estranho. Em um dos cantos mais escuros da praça havia uma grande mangueira, e atrás dela sempre aparecia uma sombra. Ela tinha o tamanho de uma criança pequena e permanecia parada, observando sua barraca de pipoca.

No início, meu avô acreditou que fosse apenas impressão causada pelo cansaço ou pela iluminação dos postes. Porém, noite após noite, a mesma sombra aparecia no mesmo lugar e no mesmo horário.

Curioso, ele decidiu descobrir o que era. Em uma madrugada, pegou sua lanterna e caminhou lentamente em direção à árvore. Quando chegou perto, não encontrou ninguém. Porém, ao olhar para outra árvore mais distante, viu novamente a mesma sombra.

Ele tentou alcançá-la várias vezes, mas ela sempre parecia mudar de lugar antes que ele chegasse perto. Não havia sons, pegadas ou qualquer sinal de alguém ali. Depois daquela noite, preferiu não seguir mais a figura e continuou apenas observando-a de longe.

Meses depois, aconteceu algo ainda mais estranho. Enquanto preparava pipocas em uma madrugada tranquila, ele viu uma pequena menina parada próxima à barraca. Ela usava um vestido claro e parecia muito calma.

Segundo meu avô, a menina olhou para ele e disse em voz baixa:

— Moço, me dá uma pipoca?

Assustado, ele pegou um saquinho e levantou os olhos para entregá-lo. Mas, naquele instante, a menina desapareceu. Não havia ninguém na praça. Apenas o vento balançando as folhas das árvores.

Meu avô nunca esqueceu aquela noite. Durante muito tempo acreditou que realmente tinha visto e ouvido a menina. Porém, com o passar dos anos, passou a pensar que tudo poderia ter sido uma ilusão causada pelo cansaço de tantas madrugadas de trabalho, pelo sono acumulado e pela solidão da praça vazia.

Mesmo sem saber o que realmente aconteceu, a história ficou marcada em sua memória e passou a ser contada para amigos e familiares. Até hoje, quem ouviu o relato lembra da curiosa história do vendedor de pipoca e da misteriosa sombra que aparecia entre as árvores da praça de Santa Izabel do Pará.