Murilo Monteiro da Cruz
A Mulher de Branco
Leitura única
532 palavras · 3 min de leitura
No interior do Pará, em uma pequena comunidade cercada por mata fechada e cortada por igarapés de águas escuras, vivia um homem chamado Elias. Era conhecido como um caçador experiente. Desde criança andava pelas trilhas da floresta e conhecia o canto dos pássaros, o som dos insetos e o movimento dos animais como ninguém.
Numa tarde nublada, pouco antes do pôr do sol, Elias pegou sua espingarda, uma lanterna e saiu para caçar. O ar estava pesado, e o silêncio da mata parecia diferente naquele dia. Nem mesmo os macacos gritavam nas árvores.
Enquanto caminhava entre as trilhas estreitas, ouviu galhos se partindo ao longe. Pensou que pudesse ser uma cutia ou um veado. Porém, ao olhar entre as árvores, viu algo estranho: um vulto escuro passou rapidamente entre os troncos.
Elias franziu a testa.
— Deve ser minha imaginação... — murmurou.
Continuou andando, mas minutos depois viu outro vulto, desta vez mais próximo. Parecia alto e desapareceu tão rápido quanto surgiu. Um arrepio percorreu sua espinha.
Tentando ignorar aquilo, seguiu até um igarapé que costumava frequentar. As águas refletiam a pouca luz do fim de tarde. Enquanto se abaixava para lavar o rosto, percebeu algo do outro lado da margem.
Havia uma figura parada entre as árvores.
Imóvel.
Silenciosa.
Ele apertou os olhos, tentando enxergar melhor. Por um instante, teve a impressão de ver uma pessoa vestida de branco. Mas quando piscou, a figura já não estava mais lá.
Um vento frio passou pela mata.
Naquele momento, Elias decidiu que era hora de voltar para casa.
O céu escurecia rapidamente quando começou o caminho de volta. A floresta parecia diferente à noite. Cada som parecia mais alto, cada sombra parecia se mover.
Depois de alguns minutos andando pela trilha, viu alguém mais à frente.
Era uma mulher.
Vestia um longo vestido branco que parecia brilhar sob a luz fraca da lua. Seus cabelos escuros cobriam parte do rosto. Ela estava parada no meio do caminho, em completo silêncio.
Elias sentiu o coração acelerar.
— Boa noite... — disse, com a voz baixa.
A mulher não respondeu.
Sem querer problemas, desviou o olhar e continuou sua viagem de volta. Depois de alguns passos, olhou para trás.
Ela ainda estava lá.
Parada.
Imóvel.
Ele respirou fundo e seguiu andando mais rápido. Não ousou olhar novamente.
Depois de algum tempo, finalmente avistou as luzes de sua casa. Sentiu alívio. Entrou pelo terreiro, colocou os equipamentos de lado e se preparava para fechar a porta quando ouviu um som.
Palmas.
Uma.
Duas.
Três.
Secas e lentas.
Seu corpo congelou.
As histórias dos mais velhos vieram à sua mente: "Nunca responda quando ouvir palmas à noite vindas da mata."
Com as mãos tremendo, Elias criou coragem e virou lentamente a cabeça para trás.
Não havia ninguém.
A estrada estava vazia.
O vento balançava as árvores, mas a mulher de branco havia desaparecido.
Naquela noite, Elias não dormiu.
E dizem os moradores da região que, em certas noites silenciosas, é possível ouvir palmas ecoando perto da floresta. E alguns juram que, à beira dos igarapés, uma mulher vestida de branco ainda observa aqueles que se aventuram pela mata depois do anoitecer.
Mas ninguém sabe quem ela é.
Ou o que procura.