Gustavo Mateus Souza da Silva
A Menina do Segundo Andar
Leitura única
489 palavras · 3 min de leitura
Em minha cidade existe um prédio cercado por histórias e mistérios: o antigo Orfanato Antônio Lemos. Durante muitos anos, o local acolheu crianças e, mais tarde, passou a funcionar como escola. Seus corredores antigos, as salas silenciosas e a arquitetura preservada fizeram surgir inúmeras histórias contadas por alunos, professores e moradores.
Entre todas essas histórias, uma é considerada a mais conhecida.
Ela fala sobre uma professora chamada Juliana.
Era uma noite comum. Juliana dava aula no segundo andar da escola, um local que hoje já não é utilizado para receber alunos. A aula aconteceu normalmente. Ela explicou o conteúdo, respondeu às dúvidas dos estudantes, fez a chamada e aguardou todos saírem da sala.
Quando terminou de guardar seus materiais, percebeu que uma aluna ainda permanecia sentada.
A menina tinha um comportamento tranquilo e educado. Ela se aproximou da professora e começou uma conversa simples sobre a escola. Nada parecia fora do comum.
Depois de alguns minutos, Juliana percebeu que nunca havia visto aquela estudante antes.
Antes de ir embora, perguntou:
— Qual é o seu nome?
A menina respondeu calmamente, sorriu e saiu pelo corredor escuro do segundo andar.
Juliana pegou seus materiais e também foi embora.
Naquele momento, ela não imaginava que aquela conversa jamais sairia de sua memória.
Na manhã seguinte, Juliana decidiu procurar a aluna.
Passou pelas salas de aula, perguntou aos estudantes, conversou com funcionários e verificou as listas de presença.
Ninguém conhecia a garota.
Nenhum professor sabia dizer quem ela era.
A descrição da menina parecia não pertencer a nenhuma estudante da escola.
Confusa, Juliana comentou o ocorrido com uma professora mais antiga.
A reação da colega foi inesperada.
Depois de ouvir toda a história, a professora permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então respondeu:
— Você não foi a primeira.
Juliana não entendeu.
A colega explicou que, muitos anos antes, uma ex-aluna havia estudado naquele prédio. Desde então, algumas pessoas afirmavam ter visto uma menina caminhando pelos corredores do segundo andar durante a noite.
Segundo os relatos, ela sempre aparecia sozinha, conversava normalmente e, depois, desaparecia sem deixar qualquer explicação.
A professora ainda revelou que outros funcionários também diziam ter encontrado aquela mesma menina.
Com o passar dos anos, o segundo andar deixou de ser utilizado para aulas.
Mesmo assim, a história nunca deixou de ser contada.
Há quem diga que, durante a noite, ainda é possível ouvir passos pelos corredores vazios.
Outros afirmam ter visto uma figura caminhando silenciosamente pelas janelas antigas do prédio.
Ninguém sabe ao certo o que realmente aconteceu.
Talvez seja apenas uma lenda.
Talvez exista alguma explicação.
Ou talvez...
algumas histórias nunca deixem aquele lugar.
Até hoje, a história da menina do segundo andar continua sendo uma das lendas mais conhecidas relacionadas ao antigo Orfanato Antônio Lemos.
Cada pessoa conta essa história de um jeito diferente.
Mas todas terminam com a mesma pergunta:
E se, em uma noite qualquer, você fosse a próxima pessoa a conversar com aquela misteriosa aluna?