A Casa no Fim da RuaParte 1 de 4 · 2 min

Vitória Lorrany Lopes de Sousa

A Casa no Fim da Rua

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Parte 1: A Mulher do Fim da Rua e Sua Casa

256 palavras · 2 min de leitura

Quando eu era criança, existia uma mulher que morava no fim da nossa rua. Ninguém sabia ao certo seu nome. Alguns diziam que ela se chamava Maria, outros juravam que ela se chamava Joana.

Todos os dias ela aparecia pelas ruas catando latinhas. Andava devagar, empurrando os pés pelo chão de terra. Usava roupas longas, velhas e sujas, que pareciam nunca ter sido lavadas. Seus cabelos grisalhos ficavam escondidos sob um pano escuro amarrado na cabeça.

O que mais me assustava era o enorme saco preto que carregava. Nunca dava para saber o que havia lá dentro. Quando ela caminhava, o saco produzia um som estranho, como se algo se mexesse entre as latinhas e os ferros velhos.

As crianças da rua corriam quando a viam se aproximar.

— Lá vem a Matinta! — gritavam.

E todos desapareciam para dentro de casa.

A mulher nunca falava com ninguém. Apenas olhava. Seus olhos pareciam fundos demais, escuros demais.

Sua casa ficava no final da rua, quase escondida do mundo. Era uma casa pequena de madeira, mas tinha algo nela que causava arrepios. Uma enorme árvore crescia na frente, cobrindo quase todo o telhado.

Mesmo durante o dia, a sombra da árvore deixava tudo escuro.

Ao lado da casa havia uma montanha de tralhas. Latas amassadas. Geladeiras quebradas. Ferros enferrujados. Ventiladores destruídos. Peças de máquinas que ninguém reconhecia. Tudo empilhado como um cemitério de objetos abandonados.

À noite, aquele lugar parecia ainda pior. Nenhuma luz acendia. Nenhum som saía da casa. Apenas o vento assobiando entre os galhos da árvore.